"Há homens que são fortes e fortes que são homens e alturas que são paisagens e alturas que são vertigens...
Esmiuçar o pensamento numa expressa vontade de exorcizar os demónios que me lixam a cabeça."


25 Julho 2009


Os dias cinzentos ajudam-me no diálogo de mim para comigo. Pela ausência de cores exteriores que me possam distrair.

Lembram-me a realidade com a ausência do tempo e com a eminente presença de mim que ainda estou cá. Teleportam-me à descoberta com contornos de possibilidades que me apresentam caminhos mil. Apresentam-me experiências de infinitas hipóteses, erros e verdades. A Verdade, o Amor, o Destino e esses grandes conceitos que geraram e gerarão os romances mais belos e criativos do género humano, existem pela ausência do tempo nos dias cinzentos. E antes sequer de haver palavras para descrever sentimentos tão grandes que pairam como utopias na sombra dos homens, desde que o homem é homem, existiram dias cinzentos. A imaginação e a fantasia são a única realidade que existe nestes dias. Sem elas tudo seria espaço bruto não precisaria de Deus nem de Ciência para ser inventado.





24 Março 2009






Às vezes parece que me queres perguntar tudo com preto no branco. Além de que isso me tira do sério e me faz deixar o café a meio da chávena, uma metade mal medida pela injusteza das medições, também me desperta furiosamente para aqueles que são os julgamentos mais fáceis e quotidianos. Perguntas-me como tenho passado e exiges-me uma resposta preto no branco, enquanto olhas de soslaio as horas no teu pulso fino e célere como o tempo.


Clarificar, com preto no branco, e dizer o que se tem a dizer. Assim pensas e assim me exiges uma resposta. É essa a ideia que me faz tiritar os dedos na mesa enquanto observo entre um sorriso a patética ideia de que se pode explicar o meu estado no gerúndio contínuo do tempo. Tudo com preto e branco. Simplesmente não se pode, eu tenho passado por muita coisa: como? Nem eu às vezes sei. Mas se tiveres um tempo, puxa uma cadeira e senta-te.

Falemos calmamente e dirte-ei como tenho passado. Também descobrirás como tens passado. Tens passado rápido, muito rápido. E sem tempo para que possas ter resposta às tuas perguntas, que já assumes como mecânicas e circunscritas no social e politicamente correcto.




22 Fevereiro 2009


São os parvos que me fazem dor de cabeça.
Senão fossem os parvos
...



PS: Este blog existe praticamente pela única visitante e crítica que ele tem, a Raquel! Para ti amiga, obrigado!

08 Fevereiro 2009

Era uma vez uma tartaruga que vivia há 200 anos e que havia conhecido um sem-número de gerações de borboletas. Sem-número porque era mesmo assim, a tartaruga jamais se lembraria da 3ª, 100ª ou 3550ª borboleta que conheceu. Lembrava-se da 1ª, por ser o 1ª, e por esse ser um número diferenciado pela circusntância que marca o ínicio de qualquer estória. A tartaruga era uma referência para todas as borboletas, de tal modo que poderia relembrar sempre todas as tradições das borboletas desde há milhares de gerações e assim ser uma conselheira dos usos e costumes. Por tanto os ditar, por tão sábia ser tornou-se tão próxima das borboletas, desde a número 2 que conhecera, passando o resto da sua vida a ditar a vida-como-deve-de-ser aos ditos insectos, de tal modo que se tornou uma ditadora das suas vidas. A sua importãncia tinha um tal destaque que todas as borboletas pensavam que a tartaruga era Deus. Habituaram-se assim a venerá-la, lisongeá-la e até a rezar-lhe.

Penso que a vida da tartaruga se resumiu a ser ditadora - assim viveu e morreu após 230 anos de vida. Quando se deu conta da iminência da finitude da sua vida, face à morte aclamada pela velhice, eis que uma borboleta lhe perguntou quantos dias são precisos para viver uma vida em pleno "grande mestre tartaruga"? Ao que esta lhe respondeu: menos de 5 minutos que é tudo quanto eu terei para viver. Lamento não ter vivido.

Então e se tu morres quem mais sábio nos irá mostrar como viver? Ao que a Tartaruga não respondeu, virando costas a caminho do mar. Esta última borboleta foi a 1ª borboleta desde há milhares de gerações a ver a tartaruga morrer, e eis que trouxe a boa-nova(!): todos temos tempo para viver, pois eu na minha vida vi a Deusa e vi-a morrer. A 1ª borboleta tornou-se então a profeta e mandou construir um monumento à memória e à imagem da Tartaruga, o que também durou outros milhares de gerações.

Tantas que imagem da tartaruga se foi alterando da sua imagem primordial, tanto que as últimas borboletas a contruir tal monumento não poderiam reconhecer uma tartaruga pela estátua que tinham construído (se assim vissem outra), pois que o monumento era tudo menos parecido com uma tartaruga, mas sim uma assombrosa borboleta gigante, cinzenta, que a todos fazia sombra e assustava. A essa borboleta chamaram-lhe a Tartaruga. E hoje as borboletas rogam à Tartaruga e vivem regradas pelas leis do profeta.

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...E AS PUBLICAÇÕES ANTERIORES:

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